Rumo às praias do Pacífico - Chile, Bolívia, Peru,

Rumo às praias do Pacífico

Introdução

Rumo às praias do Pacífico

27/12/2010 a 29/01/2011 – 12.500 km rodados

 

Participantes:

Marco e Tércia – Savana 2010 amarela

Neto e Pedro – Hi-Lux 2004 prata

Ambos equipados com tudo que precisa para uma expedição destas.

 

Roteiro:

Ida: Campinas - Corumbá/Puerto Suarez – Santa Cruz de La Sierra – Sucre – Potosi – Uyuni – Pisiga/Cochane – PN Lauca – Putre – Arica/Tacna -  Ilo – Arequipa – Valle do Colca (Coporaque) – Chivay – Camana – Huacachina - Paracas – Pachacamac – Lima – Huacho – Caral – Trujillo.

Volta:  Trujillo – Playa San Bartollo – Nazca – Abancay – Cusco – Puno – Copacabana – Cochabamba – Santa Cruz de La Sierra – Puerto Suarez/Corumbá – Campinas.

 

A idéia dessa Expedição era conhecer os lugares interessantes na Bolívia, norte do Chile e costa do Peru.

 

Relato

 

Entramos na Bolívia por Corumbá/Puerto Suarez. Dormimos em um bom hotel no lado boliviano e fomos até Santa Cruz de La Sierra pela nova estrada. Ainda há um trecho de 50 km por terminar, onde havia muita lama. De Santa Cruz para Sucre passamos por uma estrada de terra com muitos buracos, cruzamentos de rios e lama. É claro que também havia os típicos pedágios bolivianos por todo o caminho. Em Sucre -a Cidade Branca- brindamos a passagem do ano na praça da cidade junto com o povo. No mesmo dia havíamos curtido o casario colonial desta bela cidade, que é a capital do país (embora muitos não o saibam). Em Sucre também fica a mais antiga universidade das Américas. No dia 1º de Janeiro seguimos para Uyuni, por estrada asfaltada, passando por Potosi somente para apreciar a cidade, pois era feriado e estava tudo fechado. Em Uyuni, onde nos hospedamos no Hotel Los Girassoles e combinamos o passeio ao salar. Nós conhecemos o salar em 2000, mas fizemos o passeio de novo com nossos amigos porque sempre vale a pena revê-lo. Almoçamos no mais antigo Hotel de Sal e observamos no final do dia um por do Sol maravilhoso na borda do Salar.

Queríamos seguir de Uyuni para o passo de fronteira Bolívia/Chile mais próximo e localizado ao sul do Parque Lauca. Há dois caminhos, o mais curto corta dois salares e o mais longo dá uma volta de quase 300 km, chegando na estrada que liga Oruro ao passo de fronteira. Optamos pelo segundo caminho para preservar nossas camionetes do sal. Foi uma boa escolha porque passamos por diversas plantações de Quinoa,  flamingos, estradas de terra, barro, chão batido, asfalto liso, concreto, etc. No final da tarde chegamos à Pisiga, onde abastecemos antes de enfrentar os trâmites nessa fronteira com uma construção única para os bolivianos e chilenos. Os funcionários da fronteira foram atenciosos e nos trataram com educação. Entramos em Cochane, Chile, já tarde da noite e encontramos os hotéis fechados. Estava muito frio, e o policial chileno de plantão nos aconselhou a procurar alojamento em uma casa que aluga quartos para trabalhadores de minas. Conseguimos dois quartos super simples, banheiro e chuveiros quentes. Cozinhamos o nosso jantar e dormimos ali mesmo usando os nossos sacos de dormir. Dia seguinte entramos nos parques dos vulcões pela entrada sul e seguimos para o norte em direção ao Parque Lauca. São parques nacionais maravilhosos que existem ali no norte do Chile, com vulcões ativos, árvores a mais de 4.000 m de altitude e águas termais (onde tomamos um belo banho). Depois de atravessar os dois parques e curtir muito a paisagem fomos dormir em um ótimo hotel em Putre, onde tivemos um excelente jantar com vinho (cortesia da gerente). Dia seguinte descemos a cordilheira em direção a Arica (havíamos passado 5 dias a 4.000 m de altitude sem nenhum problema).

A cidade de Arica estava em clima de Rali Dakar, só se falava nisso, pois a “entourage” do rali chegaria no dia seguinte. Almoçamos na movimentada rua de pedestres do centro da cidade e depois seguimos para a fronteira com o Peru, onde a tramitação foi demorada, mas simples. Já no Peru, em uma barraca a beira da estrada, enquanto esperava o Neto, tomei informações e nos ensinaram um caminho para Ilo seguindo sempre pela costa. Tiramos nossas primeiras fotos em uma praia do Pacífico e seguimos para o norte ao longo da costa. Surpreendemos-nos com as plantações de olivais na areia do litoral. Em Ilo nos hospedamos em um bom hotel, jantamos e dormimos nossa primeira noite no Peru. De manhã trocamos dólares por soles, passeamos pela cidade e seguimos para Arequipa, subindo de novo a cordilheira.

Arequipa foi uma agradável surpresa; bons hotéis, bons restaurantes, gente simpática e a Praça de Armas mais bonita que conhecemos. Ficamos hospedados na “Casa de mi Abuela” e fizemos um city tour. Foi uma boa idéia porque o transito é caótico, como em toda cidade peruana. Era dia de reis e a cidade estava em festa. Os outros destaques de Arequipa são a catedral e o convento. Seguimos dali para o Valle de Colca, próximo a Chivay, onde está o canyon mais profundo das Américas (duas vezes mais profundo que o Grand Canyon dos EUA). Um detalhe, paga-se entrada para poder apreciar o vale. Passeamos um pouco e paramos em uma pousada muito boa em Coporaque, onde tivemos um excelente jantar e ótimo café da manhã. Saímos de Coporaque em direção a Chivay (era dia da posse do novo prefeito) e descemos a margem esquerda do rio Colca, parando nos mirantes para apreciar a belíssima paisagem. Vimos os condores logo depois do túnel.  Dali seguimos direto para a Panamericana por uma estrada de terra pouco trafegada. Para saber das condições da estrada fomos nos informando nos lugarejos ao longo do caminho. Depois de chegar na Panamericana, paramos em um hotel de praia em Camana. No dia seguinte dirigimos até Huacachina, que é um lugar interessante, com bons hotéis (hotel Huacachinero), bom restaurante, belíssimas dunas e uma laguna fedida. É um oásis que era antigamente o local de veraneio da aristocracia de Lima. Dali continuamos seguindo pela Panamericana, sentido norte até Paracas, que é uma cidade pequena com um porto de pesca e uma bela praia. Há restaurantes na beira da praia que servem bom peixe e cerveja gelada. Ficamos em um bom hotel próximo da praia, onde o gerente organizou o nosso passeio para o dia seguinte. Fomos ás ilhas Balestas para apreciar a fauna do Pacífico. É um passeio barato e que vale a pena. A tarde visitamos a Reserva Nacional de Paracas que tem belas praias e paisagens magníficas. Aqui tomamos o nosso primeiro banho de praia no Pacífico (muito gelado !!!) na Playa de la Luna. Também aproveitamos para ir na cidade vizinha de Pisco para trocar o óleo do motor das camionetes, soldar o meu suporte de estepe, fazer o rodízio dos pneus e trocar dinheiro. Pisco foi arrasada por um terremoto há dois anos e ainda está um caos.

De Paracas seguimos para as ruínas de Pachacamac, ao sul de Lima. Apreciamos as ruínas sob um Sol muito forte, mas valeu a pena. Depois de comer um lanche tomamos coragem para cruzar Lima, ou seja o caos absoluto. Estávamos indo bem, quando, quase na saída da cidade, levamos uma “mordida” de três policiais fortemente armados da policia nacional peruana. Depois de muita negociação eles nos liberaram por uma propina de 50 dólares americanos pelos dois carros. No caminho para Huacho a policia caminera ainda tentou nos morder também. Nos safamos dessa e seguimos até Huacho, que não é uma cidade turística, mas tem um bom hotel (hotel Centenário) com restaurante e garagem fechada. Nosso plano era visitar as ruínas de Caral no dia seguinte. Optamos por um caminho off-road que passava por uma mina e uma fazenda, chegando às ruínas pela porta dos fundos, Um garoto nos ensinou o caminho para a entrada principal em troca de um Sol novo. A visita às ruínas só é permitida com um guia, e o nossso era muito bom e falante. Caral era uma cidade com pirâmides de pedra que ainda estão sendo estudadas de restauradas. No local há uma boa infra-estrutura para o visitante. O calor e a secura estavam tão fortes que umas turistas alemãs abortaram a visita no meio do percurso.  Depois do passeio tomamos o caminho asfaltado para a Panamericana e seguimos para Trujillo com paradas somente para abastecer e comer. A estrada percorre um imenso deserto costeiro com raros oásis e uma paisagem bonita.  Chegamos em Trujillo a noite e nos deparamos novamente com o caótico transito peruano. Com um pouco de sorte, um bom guia impresso, e com a ajuda do GPS achamos um bom hotel ao lado de um estacionamento, perto dos restaurantes e da rua de pedestres da cidade.

Próximo a Trujillo há dois sítios arqueológicos importantes e grandes. Um deles é onde se encontram as ruínas de Chan Chan, um conjunto de construções de adobe, grandes e imponentes. Parte delas está restaurada e pode ser visitada. No meio da cidade ainda se pode visitar dois outros templos, igualmente construídos em adobe. Também existem dois sítios arqueológicos fora da cidade, duas imensas construções em adobe chamadas de Huaca Del Sol e Huaca de la Luna, que são muito impressionantes. A Huaca de la Luna está mais bem preservada e estudada. A visita guiada é muito interessante. Depois das visitas ainda aproveitamos para lavar os carros em um lava rápido e comer um bom jantar regado a cusquena.

Trujillo foi o nosso objetivo mais ao norte do Peru. Dali começou a nossa volta. Saímos cedo no domingo, 16 de Janeiro, em direção ao sul, supondo que atravessar Lima nesse dia seria mais tranqüilo. Grande ilusão, o transito em Lima estava mais caótico ainda e demoramos para atravessar a cidade. No extremo sul da cidade tivemos outra surpresa,  as duas pistas da Panamericana estavam abertas somente no sentido norte, para as pessoas que retornavam do fim de semana nas praias. Dessa forma, quem ia no sentido sul tinha que pegar uma estrada estreita, esburacada, congestionada e superlotada de ônibus, vans, motos, caminhões, etc. Depois deste pesadelo conseguimos chegar a uma praia, onde encontramos um hotel bem precário e um restaurante. Decidimos dormir ali mesmo e seguir no dia seguinte para Nasca.

Em Nasca encontramos um hotel bom e barato. Fazia muito calor e choveu um pouco. Fizemos compras, cambio, jantamos bem e tomamos a Cusquena de Trigo. Na ida nós havíamos observado as famosas linhas de Nasca do alto de uma torre observatório, pois não tivemos coragem de voar nos precários aviões que levam os turistas para ver as linhas do alto. No dia seguinte tomamos a estrada para Cusco, subindo novamente a Cordilheira. É uma estrada muito sinuosa, mas com bom asfalto e uma vista maravilhosa. Há pedágios, como em todas as estradas peruanas, mas sem pedidos de “contribucion”. Subimos devagar, curtindo a paisagem e tomando cuidado com os caminhões que ocupam a pista toda nas estreitas curvas em U desta estrada. No final da tarde chegamos a Abancay, a 2500 m de altitude. Ficamos no melhor hotel da cidade, Hotel Turismo, e jantamos ali mesmo, pois estava chovendo e os restaurantes da cidade estavam fechados. De Abancay seguimos para Cusco, ainda desfrutando da belíssima paisagem da estrada. Chegamos por volta das 14 horas e fomos direto para o Hotel Ruínas (calle Ruínas), onde havíamos reservado os quartos e o passeio a Macchu Picchu para o Neto e o Pedro.

No dia seguinte os dois foram para o passeio e nós ficamos andando pela cidade que já conhecíamos desde 2000 e de outras viagens. Ainda assistimos a chegada dos carros que estavam participando do Rali Interoceanico, Lima – Rio Branco. O outro dia em Cusco foi utilizado para passear em Maray e em Pisac, no vale sagrado. Voltamos a Cusco, onde abastecemos, lavamos os carros, vimos os carros do Rali e jantamos.  No dia seguinte seguimos para Puno, ao sul e às margens do Lago Titicaca.

A agência de viagens de Cusco havia providenciado para nós um excelente hotel em Puno (Royal Inn) e o passeio para as ilhas flutuantes. Na noite que passamos em Puno começou a chover muito forte e decidimos jantar no hotel. Depois de um tempo a chuva se tornou uma tempestade de neve que cobriu toda a cidade de branco em pleno verão. Quando saímos para o passeio às ilhas na manhã do dia seguinte, percebemos que a cidade estava toda preparada para uma grande festa, que consistia no desfile de vários grupos fantasiados e bandas de música. A visita às ilhas se deu com muito frio e chuva, mas foi interessante, pois os nativos são muito simpáticos e recebem muito bem os visitantes.

Depois do passeio às ilhas retornamos ao hotel, pegamos os carros e nos dirigimos à fronteira com a Bolívia para chegar a cidade de Copacabana, também às margens do Lago Titicaca. A tramitação na fronteira foi surpreendentemente rápida, os peruanos não pediram propina e o policial boliviano só pediu 50 bolivianos por carro. Em Copacabana nos hospedamos no hotel Glória e andamos pela cidade debaixo de uma fina e fria garoa. Em Copacabana não havia combustível, isso acontece com freqüência na Bolívia. Dali seguimos para La Paz, abastecendo no meio do caminho. Em El Alto, arredores de La Paz, encontramos o mesmo transito caótico de sempre. Dali seguimos para Cochabamba. Neste caminho passamos por diversos pedágios e diversos pontos de “fiscalização policial” onde a “contribucion” era solicitada com a maior cara de pau. Abastecemos onde havia combustível aproveitando para encher os galões de reserva.

Em Cochabamba nos hospedamos no hotel El Carmen, que havia sido recomendado por um casal que encontramos em Uyuni. É um hotel bem simples, bem localizado e com bons restaurantes nas proximidades. Fizemos um passeio a pé pela cidade e não vimos nada que chamasse a atenção. O transito em Cochabamba é surpreendentemente bem organizado.

Na manhã seguinte ligamos para uma loja de pneus em Santa Cruz de La Sierra para ver se tinham pneus BF AT para pronta entrega, confirmamos o preço e seguimos para lá. A estrada é boa e asfaltada, mas cheia de pedágios e pedidos de “contribucion”. No caminho passamos por muitas plantações de coca e terreiros para secar as folhas. Na chegada em SC de La Sierra fomos direto para a loja de pneus e depois para o hotel Carlos, onde havíamos feito uma reserva por telefone. O hotel fica em uma rua muito movimentada, mas é muito bom e tem uma ampla garagem. Nesta noite comemos comida típica da província de Santa Cruz em um restaurante chamado Casa Del Camba. Também vivemos a aventura de andar pela cidade em um taxi que não parava nos sinais fechados e tentava bater todos os recordes de velocidade.

Nosso plano era ir direto para Puerto Suarez no dia seguinte,para depois cruzar a fronteira para o Brasil. Saímos cedo de Santa Cruz, passamos nos malditos pedágios com cobrança de propina, passamos na parte da estrada que ainda não está pronta e chegamos ao ultimo pedágio e a cidade de San Jose de Chiquitos. Ali ainda tiramos umas fotos da igreja que tem na praça central e fomos para o abastecimento final. Abastecemos, comemos um lanche e partimos.

Aqui aconteceu a parte mais triste da viagem, quando estávamos na estrada sofremos uma tentativa de assalto a mão armada. Bandidos encapuzados tentaram nos assaltar, mas aceleramos o máximo que podíamos e conseguimos fugir e entrar em um lugarejo onde haviam vários trabalhadores que faziam a manutenção da estrada de ferro. Esse movimento de gente os afugentou. Depois ainda tivemos que voltar para Chiquitos, enfrentar a burocracia boliviana para fazer um boletim de ocorrência, que lá se chama “denúncia”, e dormir uma noite mal dormida em um hotel bem ruim onde a dona nos tentava explorar de todas as maneiras. Ficamos sem saber quem era pior, os bandidos ou a polícia que nos queria extorquir para fazer uma “escolta” até a fronteira. Nada, nem ninguém, nos garantia que eles seriam melhores que os bandidos.

Finalmente, dia 28/01, conseguimos fazer o último trecho de Chiquitos até a fronteira, andando o mais rápido que podíamos e sem parar nem para ir ao banheiro. Antes da fronteira ainda fomos parados pela policia boliviana que queria nos avisar que aquele trecho é perigoso e que devíamos tomar cuidado, como se não soubéssemos disso !! Saímos da Bolívia com um grande alivio e entramos no Brasil, nos dirigindo para um hotel em Corumbá. Como já era tarde, fomos direto para um restaurante, pedimos uma picanha cada um e enchemos a cara de cerveja para poder relaxar.

A volta de Corumbá para casa foi tranqüila e sem incidentes.

 

Para quem for viajar pela Bolívia e Perú recomendamos:

  • Viajar em comboio, sempre próximos. Manter sempre os companheiros na visual.
  • Procurar parar somente nas cidades, postos de abastecimento ou locais movimentados.
  • Usar o rádio para comunicação entre os carros.
  • Só viajar durante o dia, tomando cuidado maior no horário da siesta (12 às 15 horas)
  • Ao parar em um posto ou cidade, nunca dizer para onde vai ou em qual direção está indo.
  • Se perguntarem nos pedágios para onde vai, responder sempre com o nome da cidade mais próxima, nunca com o destino final. Isso também vale se a pessoa perguntando for um policial fardado.
  • Se um carro for parado pela polícia, parar todos os carros do comboio bem próximo do companheiro.
  • Sempre dizer que está viajando a trabalho.

 







Imagens - Rumo às praias do Pacífico _ Marco Aurelio De Paoli

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