Parques de Minas Gerais -

Expedição Pandiquejo ou Visita a Minas Gerais

Relato de uma viagem a 2 Parques Nacionais e 4 Parques Estaduais localizados em Minas Gerais.

Expedição Pandiquejo ou Visita a Minas Gerais

 

Iniciamos nossa expedição a Minas Gerais pelo Parque Nacional da Serra do Cipó. Viajamos direto de Campinas a Belo Horizonte e Lagoa Santa, chegando ao vilarejo de Cardeal Mota já no escuro. Fomos direto ao PNSC, onde nos informaram que não era permitido acampar. Decidimos ir para o Camping Véu da Noiva. É um camping caro, mas tem excelentes instalações. Era uma segunda-feira e estava completamente vazio, mas aberto. Acampamos com as barracas de teto, que desmontávamos todos os dias para ir ao parque depois de tomar o café da manhã. No dia seguinte fomos ao PNSC e fizemos a caminhada a Cachoeira da Farofa, 16 km de ida e volta. Na quarta-feira caminhamos até o Canyon Bandeirinhas, 23 km de ida e volta. A paisagem de cerrado deste Parque fica muito bonita nesta época do ano e as águas são claras e frias. Jantamos nos restaurantes simples locais a boa comida mineira por preços bem acessíveis.

De lá seguimos para o Parque Estadual do Rio Preto, próximo a Diamantina. Paramos muito no caminho e chegamos ao parque já escurecendo. A infraestrutura desse parque nos surpreendeu. Tem um camping excelente, banheiros muito limpos, alojamento, restaurante, centro de visitantes com wi-fi, trilhas muito bem sinalizadas e funcionários que atuam como guia nas trilhas mais longas. Não precisamos fazer reserva porque chegamos em um dia de semana e estava meio vazio. No primeiro dia caminhamos até a Cachoeira dos Crioulos, voltando pela cachoeira das Sempre Vivas e Poço da Forquilha, onde fica a junção dos rios. Saímos as 9 e retornamos as 16 horas com paradas nas cachoeiras, 14 km ida e volta. A Cachoeira dos Crioulos (o nome se deve a um Quilombo que havia na região) tem uma praia de areia branca maravilhosa. No segundo dia fomos até as Corredeiras por outra trilha com uma pequena subida e passando por um local onde se retirava madeira antes da demarcação do parque. Caminhada de 13 km com parada para banho do rio. A noite fomos apreciar o céu de lua nova na praia de areias brancas do rio que banha o camping e corta o parque. Mesmo no fim de semana o parque não ficou muito cheio. Aqui também não preparamos refeições, aproveitamos o restaurante local onde é preciso agendamento.

Na saída do PERP pedimos ao funcionário para contatar por rádio o pessoal do PE do Pico do Itambé avisando que iriamos subir o pico no dia seguinte para acampar. Seguimos inicialmente por uma estrada de terra para Felicio dos Santos, depois asfalto e depois terra, até chegar a Santo Antônio do Itambé. Como não há camping no parque procuramos uma pousada. Nos indicaram a Pousada do Cássio (excelente e com preço acessível). Chegamos lá, reservamos os quartos e fomos ao PE do PI ver como era a entrada e a subida. Fomos atendidos na portaria do parque por um funcionário muito solicito que nos explicou tudo e disse que já estávamos agendados para subir o pico no dia seguinte. O camping do pico só comporta por dia 10 pessoas e a trilha 20, por isso é necessário um agendamento. Ficamos na pousada arrumando as tralhas para a caminhada e aproveitamos, de novo, a comida mineira. Dia seguinte seguimos de carro para a portaria do parque, preenchemos os formulários e seguimos em uma trilha 4x4 até o estacionamento no começo da trilha (uns 6 km). A subida é bem tranquila, dificuldade moderada. Há uma nascente antes da chegada ao pico onde é preciso se abastecer de água. Lá encima (5,8 km de caminhada e 2050 m de altitude) encontramos um funcionário do parque que nos indicou o local para armar as barracas e um reservatório de água que ele leva para o pico para atender aos visitantes. Acampamos na área reservada para isso usando as barracas de montanha, um pouco abaixo do pico, e cozinhamos a janta antes de escurecer. O pôr do sol lá encima é maravilhoso. Acordamos ao nascer do sol e fomos admirá-lo. As barracas estavam completamente molhadas por fora e aproveitamos para tomar um café da manhã relaxado enquanto elas secavam. Depois disso desmontamos tudo e iniciamos a descida. Fomos até o ponto onde há a nascente, onde molhamos os pés na água fria e comemos. Depois terminamos a descida até os carros e seguimos até a cachoeira do Nenê. O acesso a cachoeira é feito por uma escada de madeira e a água é super gelada, mas vale a pena. Voltamos a Pousada para jantar e dormir.

Dia seguinte seguimos para Ipatinga onde fiz a manutenção da camionete na oficina Mitsubishi local, fizemos compras em um supermercado e almoçamos no shopping. Depois seguimos para o Parque Estadual do Rio Doce. Aqui o GPS nos pregou uma peça porque nos mandou para a entrada errada do parque, que estava a 42 km da entrada certa. O parque é muito grande e bonito com uma imensa mata nativa muito bem cuidada e conservada. Novamente fomos atendidos por funcionários simpáticos e educados que nos indicaram um local para acamparmos com as camionetes e as barracas de teto sem violar as regras do parque. Os únicos antipáticos no parque são os macacos que perturbam o tempo todo, mas eles estão em sua casa, nós é que somos os invasores. Fizemos um passeio de barco (R$ 50,00 por 4 pessoas), almoçamos e constatamos que não haviam trilhas para caminhadas por ali.

Saimos no dia seguinte para o Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, perto da cidade de Araponga. Tomamos a estrada de terra para o parque e achamos uma pousada muito simpática em uma antiga sede de fazenda de café, Pousada Serra D’Água. Ficava a poucos km da entrada do parque. Deixamos os quartos reservados e fomos ao parque combinar as caminhadas. Fomos recebidos pelo pessoal do parque que nos indicou os passeios, os guias e fez as nossas reservas: Pico do Boné, Pico da Grama e Pedra do Pato. Voltamos a pousada e no dia seguinte fomos ao local combinado encontrar o guia para subir o pico do Boné. É uma trilha de dificuldade moderada, 3 horas. Ficamos por lá um tempo comendo e apreciando a vista e depois descemos. Havíamos estacionado as camionetes na área de uma pousada e o guia veio com uma conversa que teríamos que pagar o estacionamento ou almoçar na pousada. Como isso não fazia parte do combinado, não pagamos e fomos embora meio chateados com o guia (funcionário do parque pago para guiar). Além disso, havia um grande grupo de pessoas na trilha que não tinha autorização do parque e nem guia. Retornamos a pousada para almoçar aquela comida mineira. Depois ficamos por ali.

Dia seguinte, domingo, subimos o pico da Grama e fizemos mais umas caminhadas por outras trilhas mais leves do parque por dentro da vegetação da serra. Havia um grupo de jovens que subiu conosco, mas depois foi embora porque não ia aguentar as outras caminhadas. Há muitas bromélias e orquídeas nativas daquela mata que são muito bonitas. Na noite desse dia caiu uma chuva torrencial, que foi muito benéfica para a região que estava muito seca. No outro dia fomos ao parque novamente para subir a Pedra do Pato. Vale ressaltar que, nas segundas feiras o parque é fechado para visitas, mas eles designaram um guia especialmente para nós apesar disso. Explicaram que a trilha poderia estar um pouco escorregadia por causa da chuva, mas fomos assim mesmo e valeu a pena. A trilha é recheada de flores silvestres e a vista de cima da pedra é bonita. A trilha também é de dificuldade moderada, pois subimos em 2,5 horas e descemos em 2 horas. Com isso completamos as atrações da Serra do Brigadeiro.

De Araponga seguimos para o parque Nacional da Serra do Caparaó. O caminho atravessa o PE da Serra do Brigadeiro em direção a BR-116 e depois seguindo em direção ao estado do Espirito Santo por Fervedouro e Espera Feliz. Entramos no parque pelo lado do ES, povoado de Pedra Menina. Acampamos com as barracas de teto no camping Macieiras. A infraestrutura do camping é ótima, com churrasqueiras, pias, banheiros limpos, água quente, etc. Além disso, há três cachoeiras bem perto. No dia seguinte curtimos as cachoeiras, com destaque para a Cachoeira da Farofa (a 1 km do camping) e a do Aurelio (1,6 km do camping), Na Farofa tomamos o banho mais gelado da viagem. Almoçamos, tomamos banho na áqua guente dos chuveiros, desmontamos o acampamento e fomos para o camping Casa Queimada no começo da trilha da subida do Pico da Bandeira. Lá armamos as barracas de chão porque o local para os carros fica longe dos banheiros. A noite foi uma algazarra geral porque um bando de gente ia subir a trilha no escuro para ver o nascer do sol de cima do pico. Depois que a horda partiu conseguimos dormir de novo.

Tomamos café no camping com tranquilidade e as 9 horas começamos s subida que levou 3 horas exatas. Não é uma trilha difícil, muito parecida com as outras que havíamos feito. Ficamos no pico da Bandeira uma hora e depois descemos. Havíamos deixado as barracas armadas para secar e as desmontamos para voltar ao outro camping para tomar um banho quente (na Casa Queimada só tem chuveiro frio). Depois jantamos e dormimos. Fez muito frio a noite e a grama no dia seguinte amanheceu coberta de gelo. Aproveitamos para tirar muitas fotos. Depois tomamos café, desmontamos as barracas e tomamos o caminho da BR-116 e depois BR-276 na direção de Juiz de Fora. Dormimos em Baependi e depois terminamos de chegar a Campinas a tempo de almoçar no melhor restaurante da cidade, o Casa de Maria em Barão Geraldo.

No total rodamos 2760 km, caminhamos 150 km e subimos cinco montanhas mineiras. Uma viagem agradável e de baixo custo.






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